segunda-feira, 2 de maio de 2011

Um dos nossos primeiros pontos de reflexão

Pensamos em memória como ficção, ok? Falamos dos recortes e estratégias de ficcionalização inerentes ao ato de contar, uma vez que memória # de experiência vivida. Achei esse texto interessante, traz um ponto de vista diferente, não concordei muito, mas vale a leitura:


"The information about ourselves that we record online is the sum of our relationships, interests and beliefs. It's who we are." Complicado ser reduzida ao fragmento editado que coloco na net que, de maneira alguma, documenta com precisão e "alma" a minha experiência vivida. Aliás, qualquer "documentário", nesse sentido, é impossível.

Extensão de uma conversa que tivemos

A história de nossa infância não é psiquicamente datada. As datas são repostas a posteriori; vêm dos outros, de outro lugar, de um tempo diverso daquele que se viveu. Pertencem exatamente ao tempo em que se conta . Victor Ségalen, grande sonhador de vida, sentiu a diferença da infância contada e da infância restabelecida numa duração que sonhamos: "Contamos a uma criança um traço qualquer de sua primeira infância, ela o memoriza e o utilizará mais tarde para se lembrar, recitar por sua vez e prolongar, pela repetição, a duração factícia, em outra página', Victor Ségalen diz que gostaria de redescobrir "o primeiro adolescente", reencontrar-se realmente, "como na primeira vez", com o adolescente que ele foi. Se as lembranças nos forem ditas com demasiada freqüência, "esse fantasma raro" já não passará de uma cópia sem vida. As "lembranças puras" recontadas incessantemente tornam-se ladainhas da personalidade.

Ainda Bachelard.

Tio Gaston

O passado não é estável.

Bachelard, p.103.

Do montinho desparatado

Há vida sem causalidade? Memória não busca conseqüência, costura retalhos esparsos no tempo, quando o faz. Chave?

Ainda Bachelard

A memória é um campo de ruínas psicológicas, um amontoado de recordações.

Do meio de um outro estudo

E foi assim que escolhi a fenomenologia na esperança de reexaminar com um olhar novo as imagens fielmente amadas, tão solidamente fixadas na minha memória que já não sei se estou a recordar ou a imaginar quando as reencontro em meus devaneios.

Bachelard, Gaston. A poética do devaneio.

Primeira Imagem Poética

Estou sentada numa cadeira de madeira embaixo de um varal de roupas secas. Muito vento faz com que tudo se mexa. Menos meus cabelos.